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Se você vive hoje, junto comigo, nesse abril de 2017, nesse mesmo planeta cheio de gente, nessa lua que encanta nosso céu, enquanto estamos na internet. Nesse sol que nasce enquanto a gente se apressa, nessa vida que corre, meio torta, enquanto a gente compete e não se importa.

Se você, como eu, anda olhando em volta, já deve ter visto como está relativo a importância de se importar. E já deve ter visto como em tanto lugar, se importar menos, é viver mais.

Será mesmo?

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De repente tudo ficou tão simples, que assusta. Nessa era moderninha onde conquistamos (será?), o poder (libertador) de nos importarmos tão pouco como o que outros pensam ou dizem, perdemos no meio do caminho, a noção do quanto se importar, importa.

E passamos a ter mais necessidades, do que relacionamentos. Mais desejos do que sentimentos. E deixamos de dizer o que sentimos, porque se importar passou a ser sinônimo de apego. Deixamos de admitir nossos medos, porque dar valor aos problemas virou fraqueza. Deixamos de falar tantas verdades, porque se importar com elas é clichê, ou careta. E desaprendemos a ouvir. Perceber.

Então descartamos o que é incômodo. Bloqueamos. Escolhemos não ver. Um clique, e aprendemos a ignorar com mais facilidade. Deixamos de viver verdades duradouras, porque sensações momentâneas preenchem tão melhor nosso vazio, e possuem tão menos risco de sofrimento. Estamos cada vez mais online, e cada vez mais, com medo da vida.

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Enviamos mensagens de texto no lugar de gestos. Trocamos mais likes que atitudes. Preferimos quantidade. Rotatividade. Rapidez. Nos importamos mais com visualizações, do que com elogios, e tememos mais julgamentos do que críticas. Nos escondemos.

Construímos mais distâncias, em tempos onde a distância é tão relativamente curta. E nos distanciamos de sentimentos que permitem realmente encurtar qualquer distância.

Esperamos cada vez menos uns dos outros, porque nessa, de a gente se importar tanto com o que parece ser, estamos dando sinais, de que é cada vez mais comum, simplesmente não se importar. Afinal, se importar é perceber. É refletir. Arriscar ver o outro, no lugar de nossos egoísmos.

E aí, a gente se acostuma cada vez mais, com indiferenças no lugar de humanidades, arrogâncias no lugar diálogos, covardias no lugar de tentativas, utilidades no lugar de pessoas. Se acostuma a não testemunhar gentilezas, a não encorajar trocas. Se acomoda ao superficial.

Se esforça para não sentir, não demonstrar, não cobrar, não ser. Porque quem se importa cria laço. E laço é trabalho árduo que uma geração que tem tanta pressa, e tanto medo, não pode se dar ao luxo de ter.

E o tempo voa! Então a gente prefere acreditar, que se importar menos é viver mais. Prefere acreditar que sem profundidade não tem responsabilidade.

E esquece, que se uma coisa importa, todas as coisas importam. E que a cada dia sem se importar, nós é que perdemos importância.

Para começar, eu vou te dar uma. Uma única razão, que deveria ser o suficiente para você arrumar um tempinho, e ir correndo ver “13 Reasons Why” (Os 13 porquês), que é a nova série do Netflix, baseada no livro do escritor Jay Asher, que estreou na última sexta feira, dia 31 de março.

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Não, eu não vou estragar a história para você, e te dar mil detalhes, pode ficar tranquilo! Tem muitas matérias  já rodando por aí, se você quiser só um resumão de tudo de bom que é a série!

A razão é, que todos estamos rodeados todos os dias por histórias, momentos e decisões. Decisões essas, que levam a caminhos, e mais escolhas logo adiante. Estamos todos, principalmente, rodeados de pessoas. Gente como a gente. E todos os dias, todos, cada um a sua maneira, estamos procurando entender um pouco melhor essa experiência que é a vida, para que de alguma forma, a gente possa fazer melhor. E ser melhor.

Parece pesado né? Eu sei. E se a gente parar para pensar pode ser que a gente prefira não ver, não refletir. Não fazer melhor amanhã. Afinal, a vida é difícil mesmo!

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A série tem a temática adolescente que já vimos tantos tentarem abordar, que pode parecer bobinha para alguns, com seus dramas, e importâncias.  Mas não se engane, eu vou dizer para você, tem muito mais que 13 razões para você ver essa produção que fala de assuntos tão difíceis, de uma forma tão tocante.

O drama nos leva ao universo de pessoas, verdades e histórias que possuem suas próprias versões e possibilidades, fazendo com que a gente repense posturas, procure compreender atitudes, e principalmente, que a gente se veja humano.

Sim, é uma série muito humana, baseada nos diálogos, nas trocas, nos medos, e nos erros. Sem super produções ou excessos. Vem mostrando para nós o poder das relações, da bondade, ou da falta dela, dos gestos, ou da falta deles, e principalmente, o poder do tempo. A importância de não subestimarmos nosso tempo, e nossas chances, de sermos a melhor versão de nós mesmos.

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É, eu “tô” impressionada sim com essa história, que a mim chegou tão real e tocante, e acho que você também vai ficar. E no meio de assuntos tão pesados, eu encerro a primeira temporada com esperança, de que possamos fazer escolhas melhores. Todos nós. Porque a gente tem a chance né?

Então, de quantas razões você precisa? Para falar sim do que importa, fazer sim o que importa. Entender sim, o que realmente importa.

E fico feliz, de poder dizer para vocês, que 13 episódios, cheios de dramas e atuações fantásticas. Que 13 episódios de uma série, podem ajudar. Para que a gente consiga refletir, para que conversas sejam iniciadas, para que novos olhares se façam, e para que a gente seja mais consciente da nossa importância na vida do outro, e mais consciente da importância das nossas próprias escolhas. Da nossa própria vida.

O roteiro é incrível, a direção também. A trilha sonora é linda, o elenco é verdadeiro e a história é cruel e lindamente real. Eu estou cheia de razões para querer que todo mundo veja , esperar que todos sejam tão positivamente impactados, e desejar que o mundo seja melhor!

E você? De quantas razões você precisa?

Até mais pessoal! Boa sorte em não ver todos os episódios de uma só vez!

A gente se vê na segunda temporada!